domingo, abril 24, 2005

Há coisas fascinantes...


Como, por exemplo, o Sr. Leitão, da retrosaria, dizer que "se ganhasse o euromilhões, em vez de abir a loja às 10, abria às 10.30..."
Fascinante, fascinante....há malucos para tudo....

sábado, abril 23, 2005

A Feira de Março

Ah! De volta à terra, depois de quase um mês e meio de ausência... "O meu retiro espiritual Zen....", pensa a sangria, mesmo ainda antes de chegar - mais ou menos em Leiria, quando a chuvinha fdp a recebe na auto-estrada. E, desta vez, a sangria vinha mesmo com propósitos de se empaturrar com conchinhas, peixinhos, espargos e búzios de ovos moles (sim, porque, ao contrário do que se pensa por aí, as pessoas da terra nem sempre vivem mergulhadas quotidianamente nas maravilhas gastronómicas que oferecem.... e, acreditem ou não, só quando as oferecemos é que as comemos....o que até parece um bocado mal. E o típico "se eu vivesse em Aveiro passava a vida a comer caldeirada de enguia, raia e ovos moles" já cheteia. É mentira.) Como dizia, vinha eu, sedente de pasmaceira, de ovos moles, do café de bairro, etc etc. Mas, mal tinha pousado a mala no chão, bombardearam-me a desejada paz com um "Vamos à Feira!". E aqui pára tudo. A Feira....

A Feira em questão é a "Feira de Março" (para o pessoal da capital, é a "Feira Popular" daqui da terra). A Feira de Março chama-se assim porque começa dia 25 de Março e acaba dia 25 de Abril. Sim, não se podia chamar "Feira de Abril", claro que não. É mesmo "Feira de Março". Não sei como nasceu, mas já é uma tradição. E, como devem calcular, tem história em mim.

O que é importante saber, em primeiro lugar, sobre a Feira é que chove sempre. O mês todo (de 25 de Março a 25 de Abril). Nunca percebi porque é que não alteravam a data do evento, se chovia sempre. Mas, provavelmente, se passasse a ser de 25 de Abril a 25 de Maio, choveria na mesma. O mês todo. Portanto, a chuva é presença constante, faz parte do cenário. Aumenta a adrenalina, atenua o calor eufórico das buzinas e das vozes anasaladas.

Depois, os carrocéis residentes: o Dragão ( = lagarta), o comboio fantasma ( um ano apareceu o comboio fantasma pedonal), o "oito" (o típico carrocel com girafas e chávenas e zebras, com a pista em "oito", ora a subir, ora a descer), a "salada russa" ( em círculo, com lombas. escolher a chávena, de preferência. só assim tem piada), os carrinhos de choque (pequenos e grandes, cujas fichas mudavam de ano para ano, para não haver putos espertos a guardá-las para o ano seguinte.....como eu, que ainda aqui tenho uma ou duas...), os aviões, o Canguru a montanha russa e os outros mais radicais (aqueles que avariam meia hora, quando está tudo de cabeça para baixo).

Quando abria a Feira (e começava a chover mais do que já tinha chovido), a miudagem agitava-se, os paizinhos enchiam-se de paciência, compravam uns Aspegics e uns Ben-u-rons extra, equipavam-se de kispos, guarda-chuvas, galochas (porque a lama também era constante, claro está) e cachecóis e lá iam todos. E eu também. Com o pai, que na altura era magro e cabia nas cadeiras e nas protecções de metal-tamanho único. E era a loucura. Começava pelo Dragão - que tinha uma descida vertiginosa + curva apertada (e corria sempre para a cauda, porque dava mais "pica"). Depois, ia para os aviões, que o pai tão bem comandava, para cima e para baixo, o mais rápido que podia, até o dono lançar olhares ameaçadores "olha que isso não é para abusar e se queres emoção tenho ali uns primos muito engraçados atrás que te dão a emoção toda num sítio que a gente bem sabe...". Os carrinhos de choque, para pânico da mãe, porque já vira gente a ficar com sérios problemas por menos e "faz tão mal à cervical". E por aí fora, até começar a espirrar. E, todos os anos, eu sentia a minha coragem aumentar, as minhas glândulas a pedir mais segregação e lá experimentava a novidade do ano (ainda me lembro da montanha-russa....e do olhar superior que esfreguei nos putos na fila para o Dragão).

Até que houve o ano do Canguru. E aí, tudo mudou. Um trauma. Eu disse "vamos!", o meu pai torceu um pouco o nariz, não pelo eventual perigo, mas porque a barriga já tornava as viagens mais incómodas. Mas fomos. Eu tinha o estômago na boca, o pai fez um esforço para encolher a barriga para as costas, e entrámos. E começou. Para cima e para baixo. Loucos saltos. Molas fortíssimas. Lances violentos. E eu deslizava no banco de plástico e cada vez achava menos piada. Até que, num momento de distração, ia saindo disparada. O pai agarrou-me a tempo. Eu percebi que já não estava a achar graça e disse "pára!". Uma vez, duas vezes, até que os berros já eram tão grandes, que o homem teve mesmo de parar o sorridente e estúpido Canguru. E, nos dois anos que se seguiram, não entrei na Feira. Só o barulho, ao longe, das sirenes me dava a volta à cabeça e me deixava as pernas a tremer.

Um dia, umas amigas lá me convenceram a ir até à Feira "anda lá, não tens de andar em nada". E fui. Psicótica na Feira. Suores frios. Tudo olhava para mim e eu tentatava não olhar para ninguém. A novidade desse ano era uma espécie de cilindro que andava, muito alto, muito rápido,em movimentos circulares. Elas foram. E eu....também...

E pronto....escusado será dizer que, quando aquela porcaria começou a "bombar" realmente, eu comecei a berrar e a dizer todos os palavrões que conhecia e, desconfio, que não conhecia. O homem, contrafeito, parou a máquina, a Feira parou, a sangria saiu, muito vermelha, as amigas riram. E não mais voltei. Não mais, até ontem.

"Vamos à Feira!", disseram eles. "Não, não vamos", disse eu. "Vamos comer uma fartura". E pronto....falam-me em farturas.... "pronto, vamos..."

Mas aquilo está diferente... agora é um 3 em um: sirenes, criancinhas, imagens pseudo-eróticas pintadas a graffitti nos painéis dos carrocéis, barracas de ferragens, com martelos, enxadas, formas para bolos em forma de flor, barracas da Serra da Estrela, Peruanos, Brasileiros, Chineses....e as farturas.... o "Fernando das Farturas", néon vermelho a abarrotar de famílias lambusadas; o "Mário das Farturas", néon verde às moscas "entre, senhor, que a gente oferece duas farturas...". E ofereceu mesmo. E foi isso que salvou a noite - meia dúzia de farturas (+ duas) com muito açúcar e canela.

Feira de Março + Feira dos 28 + Feira de Artesanato + Feira Gastronómica...não há ninguém que aguente.... E, por muito estranho que pareça, acho que ainda ouvi alguém dizer "olha, aquela que manda parar o Canguru!". Ao que eu respondi com uma valente dentada numa sandes de leitão, enquanto me ria do casalinho piroso que se empaturrava de churros e Casal Garcia.


sexta-feira, abril 08, 2005

Hoje apetecia-me ser a Marilyn Monroe: vestido branco, a esvoaçar, lábios vermelhos, carnudos , um sinal estratégico, pestanas longas e negras. Entrar na flor do bairro e sussurrar ao ouvido...


...happy... birthday....to you....
...happy... birthday...to you....




quinta-feira, março 24, 2005

Desabafos de um tediocrata II ( ou A puta da insónia)

Eu sou a primeira pessoa a defender o exercício, disciplinado e impulsivo, da tediocracia. Eu nem me importo que me leiam, que discutam as piadinhas dos pacotes de açúcar, todos os dias. Eu até ouço, muito atenta, quando me defendem que Jesus Cristo se suicidou no início dos tempos. Eu aceito sopa às 4 da tarde, farinheiras às 3 da manhã, croché e Nirvana. Retrosarias e comida vegetariana. Gajos que "tiveram lá" e gajas que não estiveram, mas gostavam de ter estado. Eu nem me importo de pensar, por exemplo, no que teria acontecido se a Alice, por acaso, tivesse posto um bocadinho mais de cogumelo no bolso. Ou se, por acaso, tivesse optado pelo "lado-que-faz-encolher" (até era mais fácil, pois escapava rapidamente por baixo das pernas do baralho de cartas e pelas saias da rainha de copas). Eu defendo a tediocracia. Eu adoro-a. Venero-a. Trabalho-a todos os dias.

Mas também preciso de dormir!

Quero dormir.... Não quero mais tediocracia hoje!!!! Por favor!!! Teo-diocrata, ajuda-me!

São 4 da manhã e já bebi 3 pacotes de leite com chocolate....

E, em vez do sono, não consigo parar de amaldiçoar estas estúpidas palhinhas....Não consigo parar de pensar porque raio algum "criativo" se lembrou de "soldar" as palhinhas na ponta e de as esburacar com 4 buracos...um mísero em cada lado.

Eu sei que as palhinhas não têm lados....porque são cilíndricas....eu sei.....mas são 4 buracos, caramba....

Uma pessoa chupa....e estranha....o leite nem sabe ao mesmo....

E depois ainda têm o descaramento de estampar na embalagem: "Nova e divertida palhinha"..... Divertida?? Mas eu não me quero divertir a beber pacotinhos de leite com chocolate....isso é estúpido.

Sim, sim, agora vocês podem argumentar "pois....são palhinhas tediocratas....ahahah" . Ao que eu respondo: "Vão-se lixar! Porque a esta hora estão vocês muito bem a dormir um grande soninho e eu, amanhã, vou estar cheia de borbulhas e olheiras e o cabelo baço e assustador, e um hálito entre o colgate e o mimosa "fonte natural de cálcio e fósforo" com palhinha nova divertida e brutalmente irritante para quem tem insónias e só quer é beber um leitinho de pacote "old school" para ver se fecha a pestana.

quarta-feira, março 23, 2005

A vida é feita de grandes nadas II

Decididamente, das coisas mais belas que ouvi nos últimos tempos (e, desconfio, nos próximos também): Keith Jarrett, the Köln Concert.

É humano tocar-se assim? (cá dentro, sobretudo)

É nestas alturas que sinto que me falha tudo. E haver pianos a chorar desta maneira sob os dedos de um homem. E haver homens a rir desta maneira, sob os dedos de um piano. E haver qualquer coisa que não se explica, que não se entende e que se sente tanto, tanto, tanto. É nestas alturas que sinto que me falha tudo. O chão, as pernas, os sentidos.

E que resposta vou dar? Que gesto escolher?

É isto e está tudo aqui. O silêncio bastar-me-á? Bastar-te-á?


terça-feira, março 22, 2005

Mais uma canção [ enquanto Ele não vem ]

"Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso que é bom que assim seja para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro (...) e digo-te não vás. Fica. Para sempre. Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo..."

- V. Ferreira -


segunda-feira, março 21, 2005

Desvarios em tons pastel

Há dias em que o que apetece mesmo mesmo é explorar um determinado assunto que por uma ou outra razão, não pode ser explorado. Há dias em que o que apetece mesmo mesmo é conseguir perceber porque é que se misturam ovos de chocolate com coroas de espinhos e ramos e uma cruz e um banho de sangue. Mas, lá está, por uma ou outra razão, não posso nem quero explorar esta ressureição de confusões. Até porque Jesus tem vindo a tornar-se um tema cada vez mais delicado e, desconfio, mais selvagem, mais e mais pagão e, sobretudo, menos mártir. O que acontece então, é que me volto, tediocraticamente, para outras divagações. Não menos reflectidas e fascinantes.
Em primeiro lugar, todos os anos por esta altura, percebo, irremediavelmente, que adoro os bebés. Azuis, rosa ou brancos. Adoro-os. Devoro-os. São melhores que cenouras, ervilhas, favas (todas muito pequenas) e que os cântaros (demasiado grandes). Os bebés são do tamanho ideal. Adoro-os. Delicadamente postos na boca (porque são bebés, não é?), deixo-os dissolverem-se com pequenos movimentos giratórios da língua. E, quando já estão muito moles, eis que uma minúscula fenda se abre e então é vê-los drenar o saboroso licor.... Adoro os bebé. Aqueles bonequinhos estúpidos e ovais, com uma touca ridícula e pézinhos estranhos de açúcar. Desconfio que o mito urbano-político do comunista que "come criancinhas ao pequeno almoço" vem de alguma família de leste cujos membros tinham também um fascínio por bebés de licor semelhante ao meu. Depois penso que, se isso for verdade, os bebés seriam antes recheados com vodka e não com licor de banana. Mas não faz mal.
Portanto, depois de achar que tenho uma tendêcia pedófila no que respeita a amêndoas de licor e de achar que estas vêm da rússia e que isso explica muita coisa, penso também que a história do coelhinho da Páscoa não convence ninguém. Vou tentar não entrar outra vez na imagem do banho de sangue e da coroa de espinhos (e, muito menos, na imagem que, de repente me arrancou uma gargalhada - a de ver Jesus vestido de coelhinho... bem...esqueçam e desculpem...). Como eu dizia, a história do coelhinho nunca me convenceu. E falo da história que sempre me contaram e que eu sempre li. Não digo que não gostasse, mas nunca me convenceu. Sim, porque há sempre aquelas coisas que uma pessoa engole a vida toda (ou mais ou menos toda), gostando, mas não ficando muito convencida. Tipo..."podemos continuar amigos" ou "falas bem, mas falta-te qualquer coisa" ou "come cenoura que os olhos ficam bonitos..." ou....já chega.
Portanto, a história, o livro, chama-se "O coelho Madrugada". Pronto, já esta parte adivinha uma coisinha fofa muito azul bebé, muito rosa, muito branquinho (como as amêndoas, que isto está sempre tudo ligado). Resumindo muito, muito, muito (porque a história estende-se até que a criancinha tenha medo, tenha raiva, tenha pena e depois sinta justiça, vingança q.b e, por fim, adormeça feliz, com a moral e isso) é a história de uma mãe coelha que tem quatro coelhinhos, o Veloz ( sim, corre muito rápido....), o Valente (pois, não tem medo de nada), o Sabichão ( sim, o intelectual de esquerda moderada) e, por fim, o desgraçadinho (ou, em dialecto, o filósofo, o poeta, o artista, o génio incompreendido...) - o Madrugada. O Madrugada era permaturo, lento e tinha uma pata tortar, pelo que saltava aos zigue-zagues - tudo o que uma criança precisa para ser feliz e aceite no ciclo, portanto. E pronto, depois ele era muito gozado por todos, mas, como artista e génio que se preze, não ligava e ficava, sonhador, contemplativo, à sombrita de uma árvore. A ver as borboletas e os outros animaizinhos a serem felizes e divertidos. Como já devem ter adivinhado, o Madrugada gostava era de ouvir histórias - as histórias de uma tia velha ( aquela personagem misteriosa e vivida que, normalmente, percebe sempre o animal incompreendido). E a história preferida era a do coelho da Páscoa. Pronto. O sonho do Madrugada era ser o coelho da Páscoa.
O que se segue é, também, previsível. Inverno. Frio. Um coelho velho e estranho aparece. Ninguém lhe dá abrigo ( esta é a parte da raiva/pena). Ninguém menos o Madrugada. O estranho, como estranho típico, desaparece de manhã, deixando o bilhete do costume.
Depois, vem-se a saber que o estranho era o coelho da Páscoa (e todos o rejeitaram!!) e que tinha escolhido para seu sucessor o bom e querido coelho coxinho que lhe dera abrigo na noite da tempestade. E pronto. O Madrugada tornou-se coelho da Páscoa. E a moral é a seguinte (esta é a parte que nunca me convenceu Mesmo) : "o melhor não é o mais rápido, o mais forte ou o mais esperto - o melhor de todos é o mais bondoso". Claro que sim. Acreditei muitíssimo nisto nas aulas de educação física, nos momentos de atritos socio-ideológicos no liceu (em que um estalo ia sempre bem) e, sobretudo, acredito muitíssimo nisto agora, na faculdade. Onde os bonzinhos são muito bem tratados, são acarinhados, são enaltecidos ternamente nos corredores. Bondosos, precisam-se. Aceita-se "bondoso" no curriculum? Penso que não. Mas vale a pena pensar no Madrugada...acho eu. ( ele teve foi muita sorte do coelho estranho da noite da tempestade não ser um coelho mau...).

segunda-feira, março 14, 2005

Atormenta-me a cabeça: como é que se escreve "Piónés"?

domingo, março 06, 2005

"Não me digas que não me compreendes,
Quando os dias se tornam azedos...
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a nascer-te nos dentes...
Não me digas que não me compreendes.

Que força é essa, que força é essa
Que trazes nos braços...

Que força é essa, amigo?
Que força é essa amigo,
Que te põe de bem com outros e de mal contigo..."

S.Godinho


sexta-feira, março 04, 2005

Momento de sapateado [ com pretensão a sinfonia ]

Entardecer. Pelas ruas, pelos autocarros, pelos jardins.
Entardecer. Longe do tempo, do rio e dos homens.
Pelas ruas, pelos autocarros, pelos jardins.
Entardecer devagar, de mãos e palavras nos bolsos.

E a sombra. Apenas a sombra, a lembrar-me o corpo.

E o frio. Ainda, o frio.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

"A honestidade intelectual é muito bonita"

domingo, fevereiro 27, 2005

Desabafos de um tediocrata

Cada vez mais acho que isto de se ter um blog cor-de-rosa proletáio-burguês com brasão no fim é como ter um peixinho vermelho num aquário redondo.
Primeiro umas pedritas de areão colorido no fundo, para dar uma certa graça. Depois a euforia de se ter um peixinho, de chegar a casa e lá estar ele, à nossa espera. O ritual do frasquinho de comida (aquelas placas fininhas com cor de ..... que se desfazem na água), a ternura com que olhamos o nosso Sansão (nome fictício do peixinho vermelho) a subir uns loucos 4 cm até à superfície da água, sempre que uns dedos se agitam do lado de fora - "Oh, o meu Sansão já me conhece...já vem pedir comida e tudo...", dizemos nós babados aos amigos. A companhia do ser calado e zen que desliza para lá....e para cá....para lá.....e para cá durante horas infinitas.
Mas pouco tempo depois, chegamos a casa e ele continua lá... e, de repente, somos uns seres estúpidos, reduzidos à humilhação de abrir e fechar a boca ao ritmo do peixe, em frente a um aquário redondo com pedras, cujos corantes já o Sansão absorveu. E percebemos que até podemos deitar a porcaria do frasco de comida inteirinho pa dentro de água, que o parvo do peixe há-de comer até rebentar e voltar, ainda assim, a vir à tona da água "pedir mais".

Eu fico assim, a abrir e a fechar a boca, ao ritmo do meu blog fuschia (nome fictício), a bater com os dedos no vidro toc toc toc e a tentar alimentá-lo com placas fininhas...

Mas gosto muito dele, faz muita companhia.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

turi tu....turi tu....tra la la

Não. Ainda não é hoje que vou escrever. Paciência!

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A vida é feita de pequenos nadas (neste caso, quatro...)

E no meio de tanta bodega, tanta bodega, tanta...bodega, lá aparecem os "nadas" que nos fazem felizes e, sobretudo, nos fazem muita companhia. Portanto, no fim de contas, acabam por ser os "tudo" desta bodega maior que é o "grande nada".... enfim... O que eu quero dizer é que ainda há gente verdadeiramente feliz nos seus devaneios. Não que seja feliz mesmo feliz como a gente empiricamente entende o termo, não é isso ( que isso só passa para o domínio colectivo quando o individual dá autorização expressa). É a tal coisa de se ser feliz na produção porque se acerta em cheio nas coisas cujo o cheio é difícil de antingir .... E como eu não consigo sair destas observações infelizes (lá está, in-feliz), vou direita ao assunto que me fez tão deliciosamente tediocratizar hoje, que era o que eu devia ter feito logo, sem introduções destas meias estranhas.

O nome é Gonçalo M. Tavares. Os livros, quatro : o Sr. Valéry, o Sr. Henri, o Sr. Juarroz e o Sr. Brecht.
E para não estragar mais nada com descrições dispensáveis, acrescento só: a bíblia do tediocrata passa (a seguir ao Pão com Manteiga) por estas quatro personagens, pelas suas teorias e, sobretudo, pela sua tediocracia sublime.


Deixo um "cheirinho" ( que isto antes de provar, é sempre bom cheirar):


"...é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
...mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto..."

in O Senhor Henri

"O senhor Juarroz pensou num Deus que, em vez de nunca aparecer, aparecesse, pelo contrário, todos os dias, a toda a hora, a tocar à campaínha.
Depois de muito meditar sobre esta hipótese, o senhor Juarroz decidiu desligar o quadro da electricidade."

in O senhor Juarroz, "A morte de Deus"

quinta-feira, fevereiro 17, 2005




"I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I find it hard to believe you don't know
The beauty that you are
But if you don't let me be your eyes
A hand in your darkness, so you won't be afraid
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I'll be your mirror
I'll be your mirror"

The Velvet Underground (I'll be your mirror)

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Porque não!

Há dez anos recebi um ramito de flores dentro de uma caixa de gelados "Gino Ginelli" em plena aula de Estudo do Meio. Isto não se faz a ninguém...

Nunca mais fui a mesma.

domingo, fevereiro 13, 2005

A explicação







"[...] Não é o tédio a doença do aborrecimento de nada ter que fazer, mas a doença maior de se sentir que não vale a pena fazer nada. E, sendo assim, quanto mais há que fazer, mais tédio há que sentir [...]"


Bernardo Soares


sábado, fevereiro 12, 2005

Afinal é mesmo verdade!

E não é que aquelas coisas dos partidos e dos senhores a falar, muito zangados ou muito calmos ou muito irónicos ou muito sorridentes, é mesmo verdade? Não é que aquilo é mesmo a verdadeira política do estado democrático português (pelo menos, do estado a que isto chegou...)?
E eu que pensava "pá, estes gajos têm mesmo piada! Estamos com um humor lindo neste país.....quem escreverá estes textos?".... E eu que repetia "caramba, estas histórias viciam...enredos complexos, paralelos, repletos de analepses e metáforas! sim senhor!"... E eu que folheava desalmadamente a TVguia, na vã esperança de encontrar o seguimento do namoro Portas-Santana Lopes ou vislumbrar finalmente o dia do beijo final da Rosa com o Cravo.... Bem me enganaram....
Afinal era mesmo verdade....
E eu, pobre cidadã, que vivia atormentada com a indecisão entre a cruzinha no quadrado Baía das Mulheres ou Mistura Fina.....
Bem, agora, pelos menos, é mais fácil escolher....não é?

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Momento de sapateado [...]

Abre os braços.
Entrega-te à certeza de um sorriso.

Os sorrisos também são certezas [esses sorrisos]
retratos a preto e branco de qualquer coisa doce que nasce num fundo que pensamos não ter

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Operação Carnaval 2005

Amigos tediocratas, venho por este meio avisar que tem hoje início, oficialmente (ahahahah!), a Operação Carnaval 2005 nas estradas portuguesas (ou, pelo menos, nessas gincanas alcatroadas aqui e ali).
Isto, para o tediocrata mais distraído, quer dizer que, a partir de hoje e até à próxima quarta-feira, o concurso de máscaras/disfarces da G.N.R - B.T está em vigor. Este ano, o.... aquele.... o.... o governo! decidiu dar tema livre para as vestimentas, no sentido de apelar à variedade e imaginação. Em declarações feitas hoje de manhã, o responsável pela Operação Carnaval relembrou as estatísticas da O.C do ano passado : "No ano passado, sendo o tema Pares da história, estávamos à espera de uma grande variedade de disfarces. Mas quase 80% dos agentes optaram por se mascarar de Sancho Pança. O que nos surpreendeu, pois não houve qualquer registo de agentes disfarçados de D. Quixote." Em relação aos restantes 20%, o responsável diz, satisfeito, "houve disfarces muito criativos! O prémio foi para dois agentes que estavam estacionados perto da área de serviço de Pombal, na A1. Os colegas optaram por uma recriação do mítico par polícia bom-polícia mau, interagiram com os automobilistas e tudo!".
O responsável deixou ainda um apelo "Ainda que o prémio só possa ser atribuído a agentes da G.N.R -B.T, todo o cidadão pode participar. Aliás, sem a participação dos automobilistas, esta iniciativa não seria possível, já que este ano introduzimos a votação por SMS." Assim, amigos tediocratas, já podem votar no disfarce que mais vos agradar. Relembro que o tema é livre, que as fardas de agentes não contam e que também não vale votar nos palhaços que vos ultrapassam a 220 km/h.
Participem todos nesta iniciativa de cor e fantasia! Mesmo que não possam entrar na competição, mascarem-se na mesma! Libertem o coelhinho branco, o cowboy, o Zorro e a freira que há dentro de vós! Metam-se no carrinho, com amigos ou família e observem, observem! Eles andam aí! E isto, este ano promete!