quarta-feira, junho 29, 2005

hoje apetecia-me um....







inteirinho... só para mim.

segunda-feira, junho 20, 2005

Há coisas [mais ou menos] fascinantes IV


1. Eu não estava lá. Mas conta quem viu: uma velhinha, ceguinha, com dois sacos da Vista Alegre.


2. Cadeira: Teoria da Literatura (...):
1ª Frequência - Pergunta: "Defina poema."; 2ª Frequência- Pergunta: " Pela segunda vez, defina poema."

sábado, junho 18, 2005








If I were a swan, I'd be gone.
If I were a train, I'd be late.
And if I were a good man, I'd talk with you
More often than I do.

If I were to sleep, I could dream.
If I were afraid, I could hide.
If I go insane, please don't put
Your wires in my brain.

If I were the moon, I'd be cool.
If I were a book, I would bend for you.
If I were a good man, I'd understand
The spaces between friends.

If I were alone, I would cry.
And if I were with you, I'd be home and dry.
And if I go insane,
And they lock me away,
Will you still let me join in the game?

If I were a swan, I'd be gone.
If I were a train, I'd be late again.
If I were a good man, I'd talk with you
More often than I do.

Pink Floyd






...e esta sensação de me ter esquecido de alguma coisa...

segunda-feira, junho 13, 2005

Até amanhã, camaradas.

Para lembrar dois homens que irão fazer falta, mas que continuarão aqui. Sempre.
Porque é urgente que continuem.


Álvaro Cunhal.

Eugénio de Andrade.


Fica assim a minha pequena homenagem.

domingo, junho 05, 2005

Da loucura de Zohía [ irmã de vinho]







Grito: Alaíno! acende um fósforo e deita fogo ao mundo.
Sussurro: Por favor, Alaíno, não me abandones.

Grito e sussurro para dentro de mim, para me magoar, e ninguém me ouve. Só o sangue aquece repentinamente.

[...]

Branco. Sou a mancha que flutua à beira deste abismo. Em que lugar da vida abandonei aqueles que amava?
Onde? Se tudo é branco. Branco.

[...]

Alaíno. Estou a arder.

[...]

Al Berto

segunda-feira, maio 30, 2005




Como viver num mundo onde se gosta mais dos mortos que dos vivos?...

Ah! Que bom vivermos todos para sermos mortos felizes.

domingo, maio 29, 2005

Há coisas fascinantes III - O sonho do sócio

O sócio (nome fictício) é muito sócio. Tem brinco na orelha (brilhante) e "cap" da moda. Meia por cima da calça, trancinhas no cabelo. O corpo pede Kizomba e "uma batida nice" do amigo. Estuda filosofia e está sempre a rir. Tem sempre a piada, a chalaça, o creoulo atrevido. Gosta das "damas", conhece os "truques de engate" e as mini-saias do costume. Às vezes irrita muito. Outras vezes menos. E, vezes há, em que não irrita nada.
Mas isto das gentes já quase não tem brilho, de tantas que são, que se nos cruzam, que nos chateiam, que falta a paciência para histórias sem interesse nenhum. Ideias vazias, aventuras ocas de um dia-a-dia cada vez mais cinzento - mas isto é de mim; "Não, não há consolo, nem espaço suficientemente grande para passear a melancolia de quem está vivo", como dizia o Al Berto.
Mas depois há outro espaço, de contornos baços e frágeis; de verdades muito mais certas, muito mais sedutoras, muito mais....fascinantes. O espaço dos sonhos - como o sonho do sócio.

O sócio estava num quarto feio, com camas de hospital. No quarto ao lado, onde entrou, em várias caminhas iguais, membros do exército nazi (fardados) brincavam, entre risinhos nervosos e abafados pelos cobertores. O sócio não percebeu de imediato o porquê de tanta excitação, mas quando olhou para um canto do quarto, viu. Uma bomba atómica, em contagem decrescente, pronta a explodir. Os meninos nazis, nas suas caminhas, nos seus sorrisos inocentes gritavam agitados " Esconde-te! Vai explodir! Esconde-te debaixo dos cobertores!".
Aqui o sócio pensou "vocês estão todos malucos..!!!" e, entre o pânico e a enorme responsabilidade, avançou para a bomba, para a desactivar. 1 minuto.... Inútil. O tempo avançava sem tréguas, os risinhos persistiam nas caminhas e uma voz, de braços cruzados, no fundo do corredor, dizia "não serves mesmo para nada! nem desactivar uma bomba atómica consegues...". Era a "cota" do sócio, com o mesmo tom com que dizia "não arrumas o quarto, não fazes a cama..."
8 segundos para a explosão final - o sócio corre, foge para o quarto ao lado e.....esconde-se também debaixo dos lençóis, com a sensação de se ser estúpido e inútil até ao fim.

A explosão.

E o sócio, na caminha, sentiu o corpo desintegrar-se; tão depressa, tão devagar; a dor. Sem matéria orgânica. Sem sangue. Sem nada que confirmasse a humanidade que lhe garantiam. Apenas desintegração. Partículas. Agarrado aos lençóis, o sócio desfazia-se, sentindo a mais perfeita e inexplicável morte a transcender o que restava de se ser. E, então

" Eu era a mais pequena partícula....a mais pequena partícula, com a angústia toda do universo em forma de zumbido. Um zumbido constante.....zzzzzzzzzzzzz. E pronto, foi isto."


(e desculpem o brilho, a beleza, o fascínio que posso ter tirado a este sonho, ao contá-lo aqui, assim)

segunda-feira, maio 16, 2005

Diários da Lagarta I



De regresso ao cogumelo, a Lagarta pensava:

"...porquê victor espadinha (assim mesmo, com letra minúscula) e Joe Dassin, um a seguir ao outro, seguidinhos, na rádio?..."


"....vou voltar a queimar sutiens...."


"...parecer-se-á a Saudade dos Heróis do Mar com um soneto?..."

"ao redor desta fogueira.....
enquanto as armas descansam...."


" em vez de uma boa estalada, dá uma boa gargalhada...."

"o cd de carlos paião.....cd1-música rápida....cd2-música lenta...."

"Como é bom voltar ao conforto do nosso cogumelo", pensava a Lagarta, enquanto calçava a meia do 7º pé. "Como é bom ter, pelo menos, 7 pés..."


"como era bom a Musca estar acordada para me pôr uma imagem catita no post...."

sábado, maio 14, 2005

O maravilhoso mundo Aloé Vera

Eu juro que tento fazer posts inteligentes, interessantes... O que eu gostava de escrever sobre política...( e todos diziam "ena! esta rapariga realmente sabe o que diz...tem ideias, bolas!")....sobre educação (....ahahhahaahah......vá! esta teve piada!), sobre desporto, até! (sim, sim, eu sei que logo dá o Benfica com o....aquele....Sport...enfim). Mas não. Não consigo... E, ou penso em coisas estúpidas, ou na Vera Roquete....

Ou na maravilhosa e versátil Aloé Vera. O nome, para quem não sabe ou pensa que vem de um cacto, teve a sua origem num telefonema suspeito "Alô! É a Vera!".... Ok.... é isto que me acontece...agora ia falar na Vera Roquete outra vez.... (na Edite Estrela também acontece)....

Como não estou a dizer nada, o que é gratificante demais para ser suportado, vou recorrer à técnica dos pontinhos:

Aloé Vera, a versátil:

  • Shampôs com Aloé Vera;
  • Amaciadores com Aloé Vera;
  • Lenços de papel com Aloé Vera;
  • Pensos higiénicos com Aloé Vera (vá...);
  • Detergentes com Aloé Vera;
  • Iogurtes com Aloé Vera;
  • Cremes depilatórios com Aloé Vera;
  • Comprimidos com Aloé Vera;
  • Pomadas anti-celulite com Aloé Vera;
  • Foucault com Aloé Vera;
  • Laxante com Aloé Vera;
  • Cosméticos com Aloé Vera;
  • Desodorisantes com Aloé Vera...

Sim senhora Aloé Vera.... muito versátil...que é....

Parva.

(a lista encontra-se aberta....podem acrescentar...)

terça-feira, maio 10, 2005

Há coisas fascinantes II

Como, por exemplo, ver um pombo a tropeçar...

Ali, em plena Praça do Chile, às 4 da tarde.

Entre duas pedrinhas da calçada, mais polidas, uma falha minúscula ....zás! A patita escorrega.

E o pombito, muito embaraçado, a fingir de homem, lá olhou para os lados, não fosse alguém estar a ver e a rir-se do desastre alheio...

tipo eu....

quarta-feira, maio 04, 2005

No girl So sweet

In came the girl with the sad eyes and
asked him over again
'Was I too weak? Was I a child?' and
'Can't we leave here and start again?'

Said, 'I don't mind if you take me down' and
'I don't mind if you break it all', but
'How much more can you take from me?'
'How much more can you take from me?'

'I'd like to take you inside my head'
'I'd like to take you inside of me'
'You came from Heaven' is all he said,
'You came from Heaven and came here to me,
and I love you..."

He drove it fast to make the night
and looked at his angel, where she lay
Resting her head, and closed her eyes
Outside the heat and the Summer fades
Deep in the sky, a storm he'd seen
Deep in the sky, a storm he'd seen
'There ain't nothing, no girl so sweet'
'Took her from Heaven and gave her to me'

PJ Harvey

domingo, maio 01, 2005

"O quotidiano da miséria"

Mais um espaço erguido na blogoesfera no qual deposito, desde já, muita confiança. O link está em baixo, juntamente com os outros, mas deixo-o aqui em cima na mesma: www.oquotidianodamiseria.blogspot.com.

Força Roldone!

domingo, abril 24, 2005

Há coisas fascinantes...


Como, por exemplo, o Sr. Leitão, da retrosaria, dizer que "se ganhasse o euromilhões, em vez de abir a loja às 10, abria às 10.30..."
Fascinante, fascinante....há malucos para tudo....

sábado, abril 23, 2005

A Feira de Março

Ah! De volta à terra, depois de quase um mês e meio de ausência... "O meu retiro espiritual Zen....", pensa a sangria, mesmo ainda antes de chegar - mais ou menos em Leiria, quando a chuvinha fdp a recebe na auto-estrada. E, desta vez, a sangria vinha mesmo com propósitos de se empaturrar com conchinhas, peixinhos, espargos e búzios de ovos moles (sim, porque, ao contrário do que se pensa por aí, as pessoas da terra nem sempre vivem mergulhadas quotidianamente nas maravilhas gastronómicas que oferecem.... e, acreditem ou não, só quando as oferecemos é que as comemos....o que até parece um bocado mal. E o típico "se eu vivesse em Aveiro passava a vida a comer caldeirada de enguia, raia e ovos moles" já cheteia. É mentira.) Como dizia, vinha eu, sedente de pasmaceira, de ovos moles, do café de bairro, etc etc. Mas, mal tinha pousado a mala no chão, bombardearam-me a desejada paz com um "Vamos à Feira!". E aqui pára tudo. A Feira....

A Feira em questão é a "Feira de Março" (para o pessoal da capital, é a "Feira Popular" daqui da terra). A Feira de Março chama-se assim porque começa dia 25 de Março e acaba dia 25 de Abril. Sim, não se podia chamar "Feira de Abril", claro que não. É mesmo "Feira de Março". Não sei como nasceu, mas já é uma tradição. E, como devem calcular, tem história em mim.

O que é importante saber, em primeiro lugar, sobre a Feira é que chove sempre. O mês todo (de 25 de Março a 25 de Abril). Nunca percebi porque é que não alteravam a data do evento, se chovia sempre. Mas, provavelmente, se passasse a ser de 25 de Abril a 25 de Maio, choveria na mesma. O mês todo. Portanto, a chuva é presença constante, faz parte do cenário. Aumenta a adrenalina, atenua o calor eufórico das buzinas e das vozes anasaladas.

Depois, os carrocéis residentes: o Dragão ( = lagarta), o comboio fantasma ( um ano apareceu o comboio fantasma pedonal), o "oito" (o típico carrocel com girafas e chávenas e zebras, com a pista em "oito", ora a subir, ora a descer), a "salada russa" ( em círculo, com lombas. escolher a chávena, de preferência. só assim tem piada), os carrinhos de choque (pequenos e grandes, cujas fichas mudavam de ano para ano, para não haver putos espertos a guardá-las para o ano seguinte.....como eu, que ainda aqui tenho uma ou duas...), os aviões, o Canguru a montanha russa e os outros mais radicais (aqueles que avariam meia hora, quando está tudo de cabeça para baixo).

Quando abria a Feira (e começava a chover mais do que já tinha chovido), a miudagem agitava-se, os paizinhos enchiam-se de paciência, compravam uns Aspegics e uns Ben-u-rons extra, equipavam-se de kispos, guarda-chuvas, galochas (porque a lama também era constante, claro está) e cachecóis e lá iam todos. E eu também. Com o pai, que na altura era magro e cabia nas cadeiras e nas protecções de metal-tamanho único. E era a loucura. Começava pelo Dragão - que tinha uma descida vertiginosa + curva apertada (e corria sempre para a cauda, porque dava mais "pica"). Depois, ia para os aviões, que o pai tão bem comandava, para cima e para baixo, o mais rápido que podia, até o dono lançar olhares ameaçadores "olha que isso não é para abusar e se queres emoção tenho ali uns primos muito engraçados atrás que te dão a emoção toda num sítio que a gente bem sabe...". Os carrinhos de choque, para pânico da mãe, porque já vira gente a ficar com sérios problemas por menos e "faz tão mal à cervical". E por aí fora, até começar a espirrar. E, todos os anos, eu sentia a minha coragem aumentar, as minhas glândulas a pedir mais segregação e lá experimentava a novidade do ano (ainda me lembro da montanha-russa....e do olhar superior que esfreguei nos putos na fila para o Dragão).

Até que houve o ano do Canguru. E aí, tudo mudou. Um trauma. Eu disse "vamos!", o meu pai torceu um pouco o nariz, não pelo eventual perigo, mas porque a barriga já tornava as viagens mais incómodas. Mas fomos. Eu tinha o estômago na boca, o pai fez um esforço para encolher a barriga para as costas, e entrámos. E começou. Para cima e para baixo. Loucos saltos. Molas fortíssimas. Lances violentos. E eu deslizava no banco de plástico e cada vez achava menos piada. Até que, num momento de distração, ia saindo disparada. O pai agarrou-me a tempo. Eu percebi que já não estava a achar graça e disse "pára!". Uma vez, duas vezes, até que os berros já eram tão grandes, que o homem teve mesmo de parar o sorridente e estúpido Canguru. E, nos dois anos que se seguiram, não entrei na Feira. Só o barulho, ao longe, das sirenes me dava a volta à cabeça e me deixava as pernas a tremer.

Um dia, umas amigas lá me convenceram a ir até à Feira "anda lá, não tens de andar em nada". E fui. Psicótica na Feira. Suores frios. Tudo olhava para mim e eu tentatava não olhar para ninguém. A novidade desse ano era uma espécie de cilindro que andava, muito alto, muito rápido,em movimentos circulares. Elas foram. E eu....também...

E pronto....escusado será dizer que, quando aquela porcaria começou a "bombar" realmente, eu comecei a berrar e a dizer todos os palavrões que conhecia e, desconfio, que não conhecia. O homem, contrafeito, parou a máquina, a Feira parou, a sangria saiu, muito vermelha, as amigas riram. E não mais voltei. Não mais, até ontem.

"Vamos à Feira!", disseram eles. "Não, não vamos", disse eu. "Vamos comer uma fartura". E pronto....falam-me em farturas.... "pronto, vamos..."

Mas aquilo está diferente... agora é um 3 em um: sirenes, criancinhas, imagens pseudo-eróticas pintadas a graffitti nos painéis dos carrocéis, barracas de ferragens, com martelos, enxadas, formas para bolos em forma de flor, barracas da Serra da Estrela, Peruanos, Brasileiros, Chineses....e as farturas.... o "Fernando das Farturas", néon vermelho a abarrotar de famílias lambusadas; o "Mário das Farturas", néon verde às moscas "entre, senhor, que a gente oferece duas farturas...". E ofereceu mesmo. E foi isso que salvou a noite - meia dúzia de farturas (+ duas) com muito açúcar e canela.

Feira de Março + Feira dos 28 + Feira de Artesanato + Feira Gastronómica...não há ninguém que aguente.... E, por muito estranho que pareça, acho que ainda ouvi alguém dizer "olha, aquela que manda parar o Canguru!". Ao que eu respondi com uma valente dentada numa sandes de leitão, enquanto me ria do casalinho piroso que se empaturrava de churros e Casal Garcia.


sexta-feira, abril 08, 2005

Hoje apetecia-me ser a Marilyn Monroe: vestido branco, a esvoaçar, lábios vermelhos, carnudos , um sinal estratégico, pestanas longas e negras. Entrar na flor do bairro e sussurrar ao ouvido...


...happy... birthday....to you....
...happy... birthday...to you....




quinta-feira, março 24, 2005

Desabafos de um tediocrata II ( ou A puta da insónia)

Eu sou a primeira pessoa a defender o exercício, disciplinado e impulsivo, da tediocracia. Eu nem me importo que me leiam, que discutam as piadinhas dos pacotes de açúcar, todos os dias. Eu até ouço, muito atenta, quando me defendem que Jesus Cristo se suicidou no início dos tempos. Eu aceito sopa às 4 da tarde, farinheiras às 3 da manhã, croché e Nirvana. Retrosarias e comida vegetariana. Gajos que "tiveram lá" e gajas que não estiveram, mas gostavam de ter estado. Eu nem me importo de pensar, por exemplo, no que teria acontecido se a Alice, por acaso, tivesse posto um bocadinho mais de cogumelo no bolso. Ou se, por acaso, tivesse optado pelo "lado-que-faz-encolher" (até era mais fácil, pois escapava rapidamente por baixo das pernas do baralho de cartas e pelas saias da rainha de copas). Eu defendo a tediocracia. Eu adoro-a. Venero-a. Trabalho-a todos os dias.

Mas também preciso de dormir!

Quero dormir.... Não quero mais tediocracia hoje!!!! Por favor!!! Teo-diocrata, ajuda-me!

São 4 da manhã e já bebi 3 pacotes de leite com chocolate....

E, em vez do sono, não consigo parar de amaldiçoar estas estúpidas palhinhas....Não consigo parar de pensar porque raio algum "criativo" se lembrou de "soldar" as palhinhas na ponta e de as esburacar com 4 buracos...um mísero em cada lado.

Eu sei que as palhinhas não têm lados....porque são cilíndricas....eu sei.....mas são 4 buracos, caramba....

Uma pessoa chupa....e estranha....o leite nem sabe ao mesmo....

E depois ainda têm o descaramento de estampar na embalagem: "Nova e divertida palhinha"..... Divertida?? Mas eu não me quero divertir a beber pacotinhos de leite com chocolate....isso é estúpido.

Sim, sim, agora vocês podem argumentar "pois....são palhinhas tediocratas....ahahah" . Ao que eu respondo: "Vão-se lixar! Porque a esta hora estão vocês muito bem a dormir um grande soninho e eu, amanhã, vou estar cheia de borbulhas e olheiras e o cabelo baço e assustador, e um hálito entre o colgate e o mimosa "fonte natural de cálcio e fósforo" com palhinha nova divertida e brutalmente irritante para quem tem insónias e só quer é beber um leitinho de pacote "old school" para ver se fecha a pestana.

quarta-feira, março 23, 2005

A vida é feita de grandes nadas II

Decididamente, das coisas mais belas que ouvi nos últimos tempos (e, desconfio, nos próximos também): Keith Jarrett, the Köln Concert.

É humano tocar-se assim? (cá dentro, sobretudo)

É nestas alturas que sinto que me falha tudo. E haver pianos a chorar desta maneira sob os dedos de um homem. E haver homens a rir desta maneira, sob os dedos de um piano. E haver qualquer coisa que não se explica, que não se entende e que se sente tanto, tanto, tanto. É nestas alturas que sinto que me falha tudo. O chão, as pernas, os sentidos.

E que resposta vou dar? Que gesto escolher?

É isto e está tudo aqui. O silêncio bastar-me-á? Bastar-te-á?


terça-feira, março 22, 2005

Mais uma canção [ enquanto Ele não vem ]

"Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso que é bom que assim seja para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro (...) e digo-te não vás. Fica. Para sempre. Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo..."

- V. Ferreira -


segunda-feira, março 21, 2005

Desvarios em tons pastel

Há dias em que o que apetece mesmo mesmo é explorar um determinado assunto que por uma ou outra razão, não pode ser explorado. Há dias em que o que apetece mesmo mesmo é conseguir perceber porque é que se misturam ovos de chocolate com coroas de espinhos e ramos e uma cruz e um banho de sangue. Mas, lá está, por uma ou outra razão, não posso nem quero explorar esta ressureição de confusões. Até porque Jesus tem vindo a tornar-se um tema cada vez mais delicado e, desconfio, mais selvagem, mais e mais pagão e, sobretudo, menos mártir. O que acontece então, é que me volto, tediocraticamente, para outras divagações. Não menos reflectidas e fascinantes.
Em primeiro lugar, todos os anos por esta altura, percebo, irremediavelmente, que adoro os bebés. Azuis, rosa ou brancos. Adoro-os. Devoro-os. São melhores que cenouras, ervilhas, favas (todas muito pequenas) e que os cântaros (demasiado grandes). Os bebés são do tamanho ideal. Adoro-os. Delicadamente postos na boca (porque são bebés, não é?), deixo-os dissolverem-se com pequenos movimentos giratórios da língua. E, quando já estão muito moles, eis que uma minúscula fenda se abre e então é vê-los drenar o saboroso licor.... Adoro os bebé. Aqueles bonequinhos estúpidos e ovais, com uma touca ridícula e pézinhos estranhos de açúcar. Desconfio que o mito urbano-político do comunista que "come criancinhas ao pequeno almoço" vem de alguma família de leste cujos membros tinham também um fascínio por bebés de licor semelhante ao meu. Depois penso que, se isso for verdade, os bebés seriam antes recheados com vodka e não com licor de banana. Mas não faz mal.
Portanto, depois de achar que tenho uma tendêcia pedófila no que respeita a amêndoas de licor e de achar que estas vêm da rússia e que isso explica muita coisa, penso também que a história do coelhinho da Páscoa não convence ninguém. Vou tentar não entrar outra vez na imagem do banho de sangue e da coroa de espinhos (e, muito menos, na imagem que, de repente me arrancou uma gargalhada - a de ver Jesus vestido de coelhinho... bem...esqueçam e desculpem...). Como eu dizia, a história do coelhinho nunca me convenceu. E falo da história que sempre me contaram e que eu sempre li. Não digo que não gostasse, mas nunca me convenceu. Sim, porque há sempre aquelas coisas que uma pessoa engole a vida toda (ou mais ou menos toda), gostando, mas não ficando muito convencida. Tipo..."podemos continuar amigos" ou "falas bem, mas falta-te qualquer coisa" ou "come cenoura que os olhos ficam bonitos..." ou....já chega.
Portanto, a história, o livro, chama-se "O coelho Madrugada". Pronto, já esta parte adivinha uma coisinha fofa muito azul bebé, muito rosa, muito branquinho (como as amêndoas, que isto está sempre tudo ligado). Resumindo muito, muito, muito (porque a história estende-se até que a criancinha tenha medo, tenha raiva, tenha pena e depois sinta justiça, vingança q.b e, por fim, adormeça feliz, com a moral e isso) é a história de uma mãe coelha que tem quatro coelhinhos, o Veloz ( sim, corre muito rápido....), o Valente (pois, não tem medo de nada), o Sabichão ( sim, o intelectual de esquerda moderada) e, por fim, o desgraçadinho (ou, em dialecto, o filósofo, o poeta, o artista, o génio incompreendido...) - o Madrugada. O Madrugada era permaturo, lento e tinha uma pata tortar, pelo que saltava aos zigue-zagues - tudo o que uma criança precisa para ser feliz e aceite no ciclo, portanto. E pronto, depois ele era muito gozado por todos, mas, como artista e génio que se preze, não ligava e ficava, sonhador, contemplativo, à sombrita de uma árvore. A ver as borboletas e os outros animaizinhos a serem felizes e divertidos. Como já devem ter adivinhado, o Madrugada gostava era de ouvir histórias - as histórias de uma tia velha ( aquela personagem misteriosa e vivida que, normalmente, percebe sempre o animal incompreendido). E a história preferida era a do coelho da Páscoa. Pronto. O sonho do Madrugada era ser o coelho da Páscoa.
O que se segue é, também, previsível. Inverno. Frio. Um coelho velho e estranho aparece. Ninguém lhe dá abrigo ( esta é a parte da raiva/pena). Ninguém menos o Madrugada. O estranho, como estranho típico, desaparece de manhã, deixando o bilhete do costume.
Depois, vem-se a saber que o estranho era o coelho da Páscoa (e todos o rejeitaram!!) e que tinha escolhido para seu sucessor o bom e querido coelho coxinho que lhe dera abrigo na noite da tempestade. E pronto. O Madrugada tornou-se coelho da Páscoa. E a moral é a seguinte (esta é a parte que nunca me convenceu Mesmo) : "o melhor não é o mais rápido, o mais forte ou o mais esperto - o melhor de todos é o mais bondoso". Claro que sim. Acreditei muitíssimo nisto nas aulas de educação física, nos momentos de atritos socio-ideológicos no liceu (em que um estalo ia sempre bem) e, sobretudo, acredito muitíssimo nisto agora, na faculdade. Onde os bonzinhos são muito bem tratados, são acarinhados, são enaltecidos ternamente nos corredores. Bondosos, precisam-se. Aceita-se "bondoso" no curriculum? Penso que não. Mas vale a pena pensar no Madrugada...acho eu. ( ele teve foi muita sorte do coelho estranho da noite da tempestade não ser um coelho mau...).

segunda-feira, março 14, 2005

Atormenta-me a cabeça: como é que se escreve "Piónés"?