Ah!...o espírito natalício!....
quinta-feira, dezembro 22, 2005
terça-feira, dezembro 20, 2005
Há coisas [tão estupidamente] fascinantes V
A polícia portuguesa não deixa de me surpreender pela negativa (eu sei que generalizar não é correcto, porque há agentes de autoridade muito bons e prestáveis. eu é que ainda não tive a sorte de ver conhecer nenhum assim.).
Ia eu a descer, há dias, a rua mais pacata de Lisboa, para tomar o meu cafezinho matinal, quando dou com um grande amigo meu, atarefadíssimo, a mudar o pneu do carro de uma loiraça com um ar um pouco badalhoco. O carro estava estacionado. O meu amigo, a transpirar, muito vermelho, lá fazia o que podia para desatarrachar as porcas. Depois, antes de passar à fase do macaco, eis que surge uma carrinha com cerca de oito senhores agentes de autoridade. Param e sorriem (tão divertidos!). Nenhum saiu do carro para ajudar. Nenhum perguntou se o "amigo" queria uma mãozinha (note-se que nem sendo uma loiraça a proprietária do veículo).
Mas souberam perguntar, anasaladamente, como se espera de um bom polícia, "Ah e tal, e o colete, minha senhora? Porque não tem o colete posto?".
Sim! Pergunto eu, porque não tinha a senhora (ou o "amigo") o colete reflector posto, ao meio-dia, no meio de um passeio lisboeta, a um domingo?
Ia eu a descer, há dias, a rua mais pacata de Lisboa, para tomar o meu cafezinho matinal, quando dou com um grande amigo meu, atarefadíssimo, a mudar o pneu do carro de uma loiraça com um ar um pouco badalhoco. O carro estava estacionado. O meu amigo, a transpirar, muito vermelho, lá fazia o que podia para desatarrachar as porcas. Depois, antes de passar à fase do macaco, eis que surge uma carrinha com cerca de oito senhores agentes de autoridade. Param e sorriem (tão divertidos!). Nenhum saiu do carro para ajudar. Nenhum perguntou se o "amigo" queria uma mãozinha (note-se que nem sendo uma loiraça a proprietária do veículo).
Mas souberam perguntar, anasaladamente, como se espera de um bom polícia, "Ah e tal, e o colete, minha senhora? Porque não tem o colete posto?".
Sim! Pergunto eu, porque não tinha a senhora (ou o "amigo") o colete reflector posto, ao meio-dia, no meio de um passeio lisboeta, a um domingo?
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Hoje apetecia-me um...

Radio, live transmission.
Radio, live transmission.
Listen to the silence, let it ring on.
Eyes, dark grey lenses frightened of the sun.
We would have a fine time living in the night,
Left to blind destruction,
Waiting for our sight.
And we would go on as though nothing was wrong.
And hide from these days we remained all alone.
Staying in the same place, just staying out the time.
Touching from a distance,
Further all the time.
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio.
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio...
Well I could call out when the going gets tough.
The things that we've learnt are no longer enough.
No language, just sound, that's all we need know,
To synchronise love to the beat of the show.
And we could dance.
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio.
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio...
só o fumo se distingue, no frio
tão cinzento
tão cinzento
tão cinzento
sábado, dezembro 10, 2005
Diários da Lagarta III

...por essa altura, a lagarta andava já encolhida de frio, arrastando-se sob o peso das malhas e das meias. Agulhas número 5/2, o monstro metálico no centro do cogumelo, infusões de tédio e preguiça (...) Não lhe saía da cabeça o boneco de neve de tófu, com o nariz acenourado. E o senhor que dizia, exaltado, à senhora de telemóvel ao pescoço - "Que horror! Mesmo ao pé do chakra do coração!!". A lagarta pensou, indolente, sobre o assunto, durante toda a rua. Ao chegar perto do cogumelo, desapertou um botão do primeiro casaco e suspirou. As coisas estão sempre sobrepostas. E o néon já não é o que era...
sexta-feira, dezembro 09, 2005
quinta-feira, dezembro 08, 2005
25 anos depois ( ou a nostalgia dos míticos óculos)
Para nos lembrar-mos (ou, pelos menos, não esquecermos).


"Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you right on the head
You better get yourself together
Pretty soon you're gonna be dead
What in the world you thinking of
Laughing in the face of love
What on earth you tryin' to do
It's up to you, yeah you
Instant Karma's gonna get you
Gonna look you right in the face
Better get yourself together darlin'
Join the human race
How in the world you gonna see
Laughin' at fools like me
Who in the hell d'you think you are
A super star
Well, right you are
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Well we all shine on
Ev'ryone come on
Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you off your feet
Better recognize your brothers
Ev'ryone you meet
Why in the world are we here
Surely not to live in pain and fear
Why on earth are you there
When you're ev'rywhere
Come and get your share
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Yeah we all shine on
Come on and on and on on on
Yeah yeah, alright, uh huh...."
John Lennon - Instant Karma
terça-feira, outubro 18, 2005
quarta-feira, agosto 03, 2005
Que bom é ter amigos que zelam pela nossa sanidade mental...
"Mais uma vez tentei suicidar-me - desta vez molhando o nariz para depois o meter na ficha eléctrica. Desafortunadamente, deu-se um curto-circuito e só consegui rebentar com o congelador (...) Hoje vi um crepúsculo vermelho e amarelo e pensei "Como sou insignificante!". É claro que também pensei isso ontem e choveu. Senti-me dominado pelo ódio por mim mesmo e pensei suicidar-me de novo - desta vez respirando fundo junto de um viajante de seguros."
Obrigada Chico-Ogre, obrigada Loff, pela Prosa completa do Woody Allen.
terça-feira, julho 26, 2005
Vá.... Porque o dia pediu...
Vem, chuva, vem...
Vieste, chuva....
"Vem, Chuva, Vem
Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição
Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão
Vem, Chuva, Vem
Lavar os meus cabelos
E os dedos amarelos do fumo
Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo
Haja o que houver
A chuva não há-de acabar
E seja lá como for
Este velho Mundo continua a girar
Espaços sem fim
Mudanças na palma da mão
Para alguns é fácil voar, é
Outros, por mais que tentem, nunca saem do chão
Vem, Chuva, Vem
Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição
Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão
Vem, Chuva, Vem
Lavar os cabelos
E os dedos amarelos do fumo
Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo "
J.Palma
Sempre a aprender
Sim, eu sou daquelas pessoas que adora aprender. E não tenho vergonha nenhuma de saber que não sei para depois saber que agora já sei e que isso é muito bom. E isto uma pessoa está sempre a conhecer. Por exemplo, palavras. De ontem para hoje, aprendi duas palavras novas. Digo, uma palavra e meia. Porque de uma já lhe conhecia o significante - que é, talvez, a metade inferior do conhecimento do signo.
Portanto conheci Chusma . Portanto conheci a outra metade de Sofisma.
Posso então dizer: Este país é uma chusma de sofismas! (como é bom re-inventar intelectualmente o insulto passivo....)
Portanto conheci Chusma . Portanto conheci a outra metade de Sofisma.
Posso então dizer: Este país é uma chusma de sofismas! (como é bom re-inventar intelectualmente o insulto passivo....)
sexta-feira, julho 22, 2005
Alone This empty room it fills my mindFreedom it leaves me confined Every single wall has cracked But in this life you can't turn back I don't want to live, I don't want to live alone Alone Alone Alone As these words are with my tongue I question why they're even sung I have promised but I lied I don't even know myself inside I don't want to be, I don't wanna be here alone Alone Alone Alone Today and tomorrow have become, Become one Every single thing has become none Human nature is a beast What I've done the most to show I have the least Please don't leave me here Please don't leave me here Don't you leave me alone Alone Alone Alone Ben Harper |
sábado, julho 16, 2005
diários da lagarta II
E ali estava ela. Inteira perfeita. Uma Galette Breton. Talvez mesmo a mais bonita que vira, até ao momento, nas redondezas do cogumelo [ o cogumelo não tinha nome. nunca tivera. nos primeiros tempos, ainda colocou a hipótese de lhe dar um nome. mas depressa achou desnecessário. de forma que ficou cogumelo cogumelo, em documentos oficiais.] Como dizia, a mais deslumbrante Galette Breton. O fascínio inevitável de a ter a existir, tão real, à sua frente - au beurre et aux oeufs frais. Que mais se poderia ter desejado?
quarta-feira, junho 29, 2005
segunda-feira, junho 20, 2005
Há coisas [mais ou menos] fascinantes IV
1. Eu não estava lá. Mas conta quem viu: uma velhinha, ceguinha, com dois sacos da Vista Alegre.
2. Cadeira: Teoria da Literatura (...):
1ª Frequência - Pergunta: "Defina poema."; 2ª Frequência- Pergunta: " Pela segunda vez, defina poema."
sábado, junho 18, 2005
If I were a swan, I'd be gone.
If I were a train, I'd be late.
And if I were a good man, I'd talk with you
More often than I do.
If I were to sleep, I could dream.
If I were afraid, I could hide.
If I go insane, please don't put
Your wires in my brain.
If I were the moon, I'd be cool.
If I were a book, I would bend for you.
If I were a good man, I'd understand
The spaces between friends.
If I were alone, I would cry.
And if I were with you, I'd be home and dry.
And if I go insane,
And they lock me away,
Will you still let me join in the game?
If I were a swan, I'd be gone.
If I were a train, I'd be late again.
If I were a good man, I'd talk with you
More often than I do.
Pink Floyd
...e esta sensação de me ter esquecido de alguma coisa...
segunda-feira, junho 13, 2005
Até amanhã, camaradas.
Para lembrar dois homens que irão fazer falta, mas que continuarão aqui. Sempre.
Porque é urgente que continuem.
Álvaro Cunhal.
Eugénio de Andrade.
Fica assim a minha pequena homenagem.
Porque é urgente que continuem.
Álvaro Cunhal.
Eugénio de Andrade.
Fica assim a minha pequena homenagem.
domingo, junho 05, 2005
Da loucura de Zohía [ irmã de vinho]
Grito: Alaíno! acende um fósforo e deita fogo ao mundo.
Sussurro: Por favor, Alaíno, não me abandones.
Grito e sussurro para dentro de mim, para me magoar, e ninguém me ouve. Só o sangue aquece repentinamente.
[...]
Branco. Sou a mancha que flutua à beira deste abismo. Em que lugar da vida abandonei aqueles que amava?
Onde? Se tudo é branco. Branco.
[...]
Alaíno. Estou a arder.
[...]
Al Berto
segunda-feira, maio 30, 2005
domingo, maio 29, 2005
Há coisas fascinantes III - O sonho do sócio
O sócio (nome fictício) é muito sócio. Tem brinco na orelha (brilhante) e "cap" da moda. Meia por cima da calça, trancinhas no cabelo. O corpo pede Kizomba e "uma batida nice" do amigo. Estuda filosofia e está sempre a rir. Tem sempre a piada, a chalaça, o creoulo atrevido. Gosta das "damas", conhece os "truques de engate" e as mini-saias do costume. Às vezes irrita muito. Outras vezes menos. E, vezes há, em que não irrita nada.
Mas isto das gentes já quase não tem brilho, de tantas que são, que se nos cruzam, que nos chateiam, que falta a paciência para histórias sem interesse nenhum. Ideias vazias, aventuras ocas de um dia-a-dia cada vez mais cinzento - mas isto é de mim; "Não, não há consolo, nem espaço suficientemente grande para passear a melancolia de quem está vivo", como dizia o Al Berto.
Mas depois há outro espaço, de contornos baços e frágeis; de verdades muito mais certas, muito mais sedutoras, muito mais....fascinantes. O espaço dos sonhos - como o sonho do sócio.
O sócio estava num quarto feio, com camas de hospital. No quarto ao lado, onde entrou, em várias caminhas iguais, membros do exército nazi (fardados) brincavam, entre risinhos nervosos e abafados pelos cobertores. O sócio não percebeu de imediato o porquê de tanta excitação, mas quando olhou para um canto do quarto, viu. Uma bomba atómica, em contagem decrescente, pronta a explodir. Os meninos nazis, nas suas caminhas, nos seus sorrisos inocentes gritavam agitados " Esconde-te! Vai explodir! Esconde-te debaixo dos cobertores!".
Aqui o sócio pensou "vocês estão todos malucos..!!!" e, entre o pânico e a enorme responsabilidade, avançou para a bomba, para a desactivar. 1 minuto.... Inútil. O tempo avançava sem tréguas, os risinhos persistiam nas caminhas e uma voz, de braços cruzados, no fundo do corredor, dizia "não serves mesmo para nada! nem desactivar uma bomba atómica consegues...". Era a "cota" do sócio, com o mesmo tom com que dizia "não arrumas o quarto, não fazes a cama..."
8 segundos para a explosão final - o sócio corre, foge para o quarto ao lado e.....esconde-se também debaixo dos lençóis, com a sensação de se ser estúpido e inútil até ao fim.
A explosão.
E o sócio, na caminha, sentiu o corpo desintegrar-se; tão depressa, tão devagar; a dor. Sem matéria orgânica. Sem sangue. Sem nada que confirmasse a humanidade que lhe garantiam. Apenas desintegração. Partículas. Agarrado aos lençóis, o sócio desfazia-se, sentindo a mais perfeita e inexplicável morte a transcender o que restava de se ser. E, então
" Eu era a mais pequena partícula....a mais pequena partícula, com a angústia toda do universo em forma de zumbido. Um zumbido constante.....zzzzzzzzzzzzz. E pronto, foi isto."
(e desculpem o brilho, a beleza, o fascínio que posso ter tirado a este sonho, ao contá-lo aqui, assim)
Mas isto das gentes já quase não tem brilho, de tantas que são, que se nos cruzam, que nos chateiam, que falta a paciência para histórias sem interesse nenhum. Ideias vazias, aventuras ocas de um dia-a-dia cada vez mais cinzento - mas isto é de mim; "Não, não há consolo, nem espaço suficientemente grande para passear a melancolia de quem está vivo", como dizia o Al Berto.
Mas depois há outro espaço, de contornos baços e frágeis; de verdades muito mais certas, muito mais sedutoras, muito mais....fascinantes. O espaço dos sonhos - como o sonho do sócio.
O sócio estava num quarto feio, com camas de hospital. No quarto ao lado, onde entrou, em várias caminhas iguais, membros do exército nazi (fardados) brincavam, entre risinhos nervosos e abafados pelos cobertores. O sócio não percebeu de imediato o porquê de tanta excitação, mas quando olhou para um canto do quarto, viu. Uma bomba atómica, em contagem decrescente, pronta a explodir. Os meninos nazis, nas suas caminhas, nos seus sorrisos inocentes gritavam agitados " Esconde-te! Vai explodir! Esconde-te debaixo dos cobertores!".
Aqui o sócio pensou "vocês estão todos malucos..!!!" e, entre o pânico e a enorme responsabilidade, avançou para a bomba, para a desactivar. 1 minuto.... Inútil. O tempo avançava sem tréguas, os risinhos persistiam nas caminhas e uma voz, de braços cruzados, no fundo do corredor, dizia "não serves mesmo para nada! nem desactivar uma bomba atómica consegues...". Era a "cota" do sócio, com o mesmo tom com que dizia "não arrumas o quarto, não fazes a cama..."
8 segundos para a explosão final - o sócio corre, foge para o quarto ao lado e.....esconde-se também debaixo dos lençóis, com a sensação de se ser estúpido e inútil até ao fim.
A explosão.
E o sócio, na caminha, sentiu o corpo desintegrar-se; tão depressa, tão devagar; a dor. Sem matéria orgânica. Sem sangue. Sem nada que confirmasse a humanidade que lhe garantiam. Apenas desintegração. Partículas. Agarrado aos lençóis, o sócio desfazia-se, sentindo a mais perfeita e inexplicável morte a transcender o que restava de se ser. E, então
" Eu era a mais pequena partícula....a mais pequena partícula, com a angústia toda do universo em forma de zumbido. Um zumbido constante.....zzzzzzzzzzzzz. E pronto, foi isto."
(e desculpem o brilho, a beleza, o fascínio que posso ter tirado a este sonho, ao contá-lo aqui, assim)
segunda-feira, maio 16, 2005
Diários da Lagarta I
De regresso ao cogumelo, a Lagarta pensava:
"...porquê victor espadinha (assim mesmo, com letra minúscula) e Joe Dassin, um a seguir ao outro, seguidinhos, na rádio?..."
"....vou voltar a queimar sutiens...."
"...parecer-se-á a Saudade dos Heróis do Mar com um soneto?..."
"ao redor desta fogueira.....
enquanto as armas descansam...."
" em vez de uma boa estalada, dá uma boa gargalhada...."
"o cd de carlos paião.....cd1-música rápida....cd2-música lenta...."
"Como é bom voltar ao conforto do nosso cogumelo", pensava a Lagarta, enquanto calçava a meia do 7º pé. "Como é bom ter, pelo menos, 7 pés..."
"como era bom a Musca estar acordada para me pôr uma imagem catita no post...."
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